As quase três horas de duração de “Austrália” são um teste de paciência dos mais difíceis. Chegar ao final do longa é algo digno de aplausos e conseguir assistí-lo ininterruptamente até a última cena é uma proeza que não consegui realizar. Ao começar a tortura sessão às 16h30min da tarde, não imaginava que só terminaria às 23h da noite! Se você conseguiu assistir a tudo de uma vez, parabéns! Se não, tudo bem. A culpa não foi sua.
Baz Luhrmann é um diretor com estilo. Mas parece que todo esse estilo foi gasto em “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” e, hoje, cansou. Cenas demasiadamente fantasiosas, que no musical serviam como um atrativo a mais, aqui parecem forçadas e sem propósito.
E as coincidências não param por aí. Ambos os filmes foram estrelados por Nicole Kidman, que eu sempre considerei uma atriz mediana, por vezes inexpressiva. Ela já teve boas performances, especialmente em “De Olhos bem Fechados”, “As Horas” e no próprio “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, mas nada além disso. A situação agora é pior ainda: não só “Austrália” traz a pior atuação da carreira da atriz, mas a própria reconhece isso ao dizer que se sentiu envergonhada ao assistir ao filme. Pois é. Se ela ficou assim, imagina eu.
Por outro lado, Hugh Jackman faz o que pode com o que lhe é dado. Não que ele tenha tido a melhor performance dele em “Austrália”, longe disso. Mas o ator mostra segurança no papel e, bem ou mal, consegue transformar uma personagem sem graça em algo interessante (ou qualquer coisa perto disso).
O roteiro também é outro problemão do filme. Para começar, a trama já é brega: uma aristocrata inglesa que vai até o desértico norte da Austrália e apaixona-se por um vaqueiro, enquanto um malvado vilão capitalista tenta comprar-lhe suas terras e aumentar seu império. Porém, a incrível sucessão de clichês, que – acredite – inclui uma cena de beijo na chuva, tornam o longa mais complicado de ser assistido. Fora que, com 1 hora de projeção, ninguém aguenta mais ouvir o trocadilho “Drove will drive”.
É certo que em um planeta com mais de 6 bilhões de pessoas, alguém irá gostar desse filme. Mas também é certo que a grande maioria chegará ao final com um sentimento de arrependimento, por ter gasto quase 3 horas da vida assistindo a um filme cujo único propósito é servir como propaganda turística do país da Oceania, coisa que, aliás, já está virando moda.
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Austrália
Australia, 2008
Dirigido por: Baz Luhrmann
Escrito por: Baz Luhrmann
Nota: 3.0
O que você pensa quando descobre que o nome do filme que você vai assistir é “A Vagina Dentada”? No meu caso foi “deve ser tão bizarro que deve ser legal”. Apesar da premissa engraçada, o nível de bizarrice atingiu o limite. Mesmo assim, vale o post.
