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Review: Austrália

australia-2008As quase três horas de duração de “Austrália” são um teste de paciência dos mais difíceis. Chegar ao final do longa é algo digno de aplausos e conseguir assistí-lo ininterruptamente até a última cena é uma proeza que não consegui realizar. Ao começar a tortura sessão às 16h30min da tarde, não imaginava que só terminaria às 23h da noite! Se você conseguiu assistir a tudo de uma vez, parabéns! Se não, tudo bem. A culpa não foi sua.

Baz Luhrmann é um diretor com estilo. Mas parece que todo esse estilo foi gasto em “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” e, hoje, cansou. Cenas demasiadamente fantasiosas, que no musical serviam como um atrativo a mais, aqui parecem forçadas e sem propósito.

E as coincidências não param por aí. Ambos os filmes foram estrelados por Nicole Kidman, que eu sempre considerei uma atriz mediana, por vezes inexpressiva. Ela já teve boas performances, especialmente em “De Olhos bem Fechados”, “As Horas” e no próprio “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, mas nada além disso. A situação agora é pior ainda: não só “Austrália” traz a pior atuação da carreira da atriz, mas a própria reconhece isso ao dizer que se sentiu envergonhada ao assistir ao filme. Pois é. Se ela ficou assim, imagina eu.

Por outro lado, Hugh Jackman faz o que pode com o que lhe é dado. Não que ele tenha tido a melhor performance dele em “Austrália”, longe disso. Mas o ator mostra segurança no papel e, bem ou mal, consegue transformar uma personagem sem graça em algo interessante (ou qualquer coisa perto disso).

O roteiro também é outro problemão  do filme. Para começar, a trama já é brega: uma aristocrata inglesa que vai até o desértico norte da Austrália e apaixona-se por um vaqueiro, enquanto um malvado vilão capitalista tenta comprar-lhe suas terras e aumentar seu império. Porém, a incrível sucessão de clichês, que – acredite – inclui uma cena de beijo na chuva, tornam o longa mais complicado de ser assistido. Fora que, com 1 hora de projeção, ninguém aguenta mais ouvir o trocadilho “Drove will drive”.

É certo que em um planeta com mais de 6 bilhões de pessoas, alguém irá gostar desse filme. Mas também é certo que a grande maioria chegará ao final com um sentimento de arrependimento, por ter gasto quase 3 horas da vida assistindo a um filme cujo único propósito é servir como propaganda turística do país da Oceania, coisa que, aliás, já está virando moda.

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Austrália
Australia, 2008
Dirigido por: Baz Luhrmann
Escrito por: Baz Luhrmann
Nota: 3.0

Review: Teeth – A Vagina Dentada

teeth-a-vagina-dentada-2007O que você pensa quando descobre que o nome do filme que você vai assistir é “A Vagina Dentada”? No meu caso foi “deve ser tão bizarro que deve ser legal”. Apesar da premissa engraçada, o nível de bizarrice atingiu o limite. Mesmo assim, vale o post.

Teeth – ou A Vagina Dentada, em português – conta a estória de Dawn, uma adolescente puritana que quer se guardar para depois do casamento, bem no estilo Sandy. Acontece que ela tem uma pequena diferença em relação às outras meninas da idade dela: a vagina dela morde!

O filme é estrelado por Jess Weixler no papel de Dawn. A atriz (que é a cara da Amanda Seyfried) ganhou inclusive o prêmio do Festival Sundance. Pena que a atuação da moça, assim como de todo o resto do elenco, é lamentável.

Em uma tremenda forçação de barra, o filme mostra os alunos da escola da cidade tendo uma aula de anatomia, onde apenas o sistema reprodutor masculino é estudado. Um dos alunos pergunta ao professor o porquê de haver um adesivo em cima do sistema reprodutor feminino e ouve a seguinte resposta: “política da escola”. Na verdade, foi só o único meio encontrado pelo roteiro de fazer com que Dawn fosse estúpida o suficiente para não saber que, normalmente, vaginas não possuem dentes.

Quando Dawn se apaixona por Tobey é que o filme realmente começa. O problema é que ele não pensa em se guardar para ela e tenta estuprá-la. Nesse momento, a super vagina entra em ação e arranca o pênis de Tobey, que desaparece.

Dawn resolve agir e retira o adesivo do livro de anatomia. Assustada com a descoberta de que vaginas não têm dentes, ela corre para o ginecologista.teeth_movie_stills1 O problema é que, durante o exame, o médico machuca a menina e sua vagina arranca os dedos do doutor. O mais sem-noção não é o fato de a vagina morder e arrancar pedaços. O foda é a vagina cuspir o que arranca.

Enquanto isso, a família de Dawn é mostrada e vemos que seu irmão postiço, Brad, odeia os pais porque eles se casaram e impossibilitaram uma relação entre ele e Dawn, já que agora ela era sua irmã. Provavelmente, a única coisa realmente interessante do filme é o fato de a cadela de Brad se chamar “Mãe”, o que comprova que ele apenas vive com aquela família por causa de Dawn.

De repente, o corpo de Tobey é achado no mesmo lugar onde ele teve o pênis arrancado. Milagrosamente, Dawn estava lá. Desesperada, ela corre até a casa de Ryan, um menino da escola. E , pela primeira vez, Dawn consegue fazer sexo sem que sua vagina fique nervosa. O problema é que, durante uma das transas, o telefone toca e ela descobre que Ryan havia feito uma aposta sobre ela, bem no estilo “Ela É Demais”. Adivinha que entrou em ação? Isso mesmo…

Nesse momento, sua mãe tem uma crise e vai parar no hospital. Lá, descobre que Brad não socorreu a mulher e resolve se vingar. Ela vai até o quarto dele, o seduz e… isso mesmo. O mais bizarro é que, depois de arrancar o pênis do cara, a cadela Mãe vem, come o pênis e cospe a ponta com um piercing.

A cena final mostra Dawn pedindo carona e indo embora da cidade. O velho que lhe deu carona fecha as janelas do carro e, com a linguinha para fora e uma cara de safado, mostra suas intenções para Dawn, que pensa, olha para a câmera e dá aquele risinho. teeth1

O filme tenta dar uma explicação esfarrapada para o fenômeno, quando uma professora dá uma aula sobre mutação em cobras e diz que existe a teoria de que um belo dia um bebê-cobra nasceu com um chocalho na ponta do corpo. Porém, o filme também insiste em mostrar que a casa onde Dawn foi criada fica perto de uma usina nuclear, o que poderia significar mutação, não por necessidade como no caso das cobras, mas por indução radiotiva. Fato é que um contradiz o outro.

O que era para ser um terror/comédia descompromissado virou um filmezinho B totalmente descartável e com momentos que te fazem sentir vergonha alheia.

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Teeth – A Vagina Dentada
Teeth, 2007
Direção: Mitchell Lichtenstein
Roteiro: Mitchell Lichtenstein
Nota: 1.0


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