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Mamma mia, here we go again!

Enquanto você discute com a sua BFF se a Bella nasceu pra ficar com o Jacob ou com o Edward e seu pai se revolta com a vitória da Dilma porque agora ele vai ter que pagar Bolsa Vagabundo prum pessoal pobre aí que ele não tem muita certeza se existe já que ele se recusa a sair de sua pequena bolha, estreou no último dia 31 lá na terra do Obama um treco chamado The Walking Dead.

Sô bonita?

Exibido pela AMC (que é tipo a Record das emissoras fechadas americanas, tentando fazer sombra à HBO, que seria a Globo nessa nossa esfuziante analogia), o treco foi adaptado dum HQ aí pelo Frank Darabont, ídolo desse animal que escreve para vocês. Já que gostei da analogia, vamos continuar. Lembra quando a Record estreou A Fazenda pra competir com o Big Brother? Mais ou menos o que a AMC fez: zumbis pra acabar com os vampiros.

Só que, A JULGAR PELO PILOTO, “Days Gone Bye”, a tentativa é apenas um #fail. Já disse antes, mas relembro: sou fã do Darabont. Daqueles que usaria camiseta com a foto dele e iria ao aerporto com cartaz de “SAY HELLO TO BRAZIL, FRANK”. Well, not really, mas você entendeu. Enfim, é difícil dizer isso, mas o piloto de The Walking Dead é um cu de ruim. Aos argumentos:

1. Depois de Zombieland e do melhor episódio da história de Community, fica muito complicado levar os zumbis a sério. No, really: como você vai conseguir fazer drama com um morto-vivo que anda torto, de boca aberta, baba sangue e tenta comer gente viva?

2. Voltando no negócio de vampiros x zumbis: vampiros são tipo Deus. Você não pode provar que existe, mas também não pode provar que não existe. Agora, se por acaso aparecer uma pessoa que aparente estar morto querendo te comer, proteja sua retaguarda porque deve ser só o Plínio de Arruda Sampaio depois do Viagra. É fato que uma infestação de zumbis jamais poderia acontecer. É sério, cientistas gastaram seu tempo pra provar isso. E, ainda que isso não signifique porra nenhuma, tira metade da graça, dizaê.

3. Os vampiros são uma “metáfora para o outsider que existe em cada um de nós” e “representam os nossos lados negros”. Não fui eu quem disse, foi a Anne Rice. E os zumbis são metáfora para o quê? Reflita.

4. Essa puta.

5. Ainda que o Darabont tenha tentado umas paradinhas legais, tipo a zumbi loirinha do início, não dá pra desculpá-lo por colocar o protagonista lá em coma no hospital enquanto a infestação acontece só pra colocá-lo no mesmo patamar de ignorância do telespectador que começa a assistir ao treco agora. Meu ponto é: o Danny Boyle já tinha feito isso lá em 2002 em 28 Days Later (‘Extermínio’ pros menos pedantes).

6. Não fez o menor sentido pra mim que os zumbis tenham devorado o cavalo. Por que o cavalo não virou zumbi? Se eles comem animais, por que não usar animais como escudo para se proteger dos bichos lá? Por que o urubu não foi atacado pelo zumbi? Eles não gostam de carne de ave? E as galinhas? Geyse Arruda estaria salva?

7. Criança pentelha. Todo maldito treco de terror tem que ter uma criança pentelha. Oh, no, wait. Aqui temos duas.

8. Negão dubein. Todo maldito treco de terror tem que ter um negão dubein cujo único dever é proteger uma outra pessoa (normalmente uma loira gostosa e patricinha, mas nesse caso, a criança pentelha).

9. Não vou aguentar um drama familiar que envolva uma criança pentelha, um negão dubein e uma zumbi mamãe com instintos. Too much for me to handle. Sem contar que mamãe zumbi é a única zumbi do bairro que não baba sangue e parece mais arrumadinha que a mãe da Tara de True Blood.

10. Na verdade só consegui pensar em 9, mas 10 é um número redondo e achei que tinha que inventar alguma coisa pra fechar esse negócio direito, então: Darabont já trabalhou com Tim Robbins, Morgan Freeman, Tom Hanks, Marcia Gay Harden e, vá lá, Jim Carrey, mas quem que ele chama pra The Walking Dead? This annoying bitch.

Efeitos mind-blowing

OK, só porque estamos falando de Frank Darabont Diaz-Twine, vamos pescar coisas boas desse piloto: a trilha sonora, do mesmo gênio que acabava com a gente em BSG, é perfeitinha e usada com maestria pelo Frankão, que ainda mostra o porquê de ele ser o melhor adaptador de trecos do Stephen King em todas as cenas que consegue passar tensão, mesmo com todos os defeitos apontados ali em cima. E a abertura é bem legal (e, numa época em que cada vez menos séries se dão ao trabalho de criar uma abertura, devemos louvar The Walking Dead por isso). Mas é só isso.

De acordo com o TV By The Numbers, The Walking Dead abriu com 5.3 milhões de espectadores. É, isso tudo. E esse número monstruoso significa que é bem provável que ainda tenhamos algumas temporadas de zumbis pela frente, ou seja, ainda há muito tempo para xiitismo (entendeu, galera que comenta e ameaça a vida dos blogueiros?). E também ainda há muito tempo pro Darabont virar o jogo e deixar essa porra assistível. Seria um milagre, mas estou à espera [#standupbr]. Torçamos pra que daqui pra frente a série tenha conteúdo.

Mostrarei que sou mais que um corpinho bonito


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